20/04/2010

No princípio

“Porque a criação aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus. Porquanto a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que também a própria criação há de ser liberta do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, conjuntamente, geme e está com dores de parto até agora;” Rm 8:19 a 22



Assim como a humanidade se enganou durante milhares de anos, achando que a terra era o centro do universo, engana-se novamente agora, ao achar que espécie humana é o centro da criação, a espécie mais importante sobre a terra, a ponto de considerar-se com plenos direitos sobre todas as outras espécies, para fazer o que quiser como se pudesse sobreviver sozinhos no planeta. Durante milhares de gerações, a natureza foi temida e tratada como uma adversária a ser vencida. Hoje, ela é vista como uma espécie de armazém de recursos naturais inesgotáveis para o desenvolvimento humano e uma lixeira enorme, capaz de receber nossos dejetos infinitamente. Os ecossistemas extintos, as crateras enormes, os vazadouros de lixo mostram o quanto o nosso estilo de vida está errado.

“Consideramos hoje a terra também como um oprimido, por isso precisamos também de uma pedagogia desse oprimido que é a Terra. Precisamos de uma pedagogia da terra como um grande capítulo da pedagogia do oprimido. Uma pedagogia que tem como suporte o Paradigma Terra que considera esse planeta como uma única comunidade, uma e diversa.” (GADOTTI)

O homem está imerso em uma espécie de egoísmo desenfreado, onde os sistemas econômicos o impulsionam a viver uma vida baseada no imediatismo e satisfação irrestrita dos desejos momentâneos, não levando em conta se tais desejos expressam reais necessidades. É quase utópico pensar na defesa dos direitos de pessoas que ainda não existem, quando todos estão somente preocupados consigo mesmos e com os seus interesses. Na utopia, estabelece-se um consenso perfeito, a “Busca da cidade feliz ou justa, cujo fundamento se encontra na excelência da legislação, ou na lei, e na pedagogia ou na educação dos cidadãos segundo a excelência da lei” (Chauí). Porém, na prática no dia-a-dia já não se menciona futuro, as pessoas trabalham não para acumulação de recursos para seus herdeiros, mas para multiplicação de capital e enriquecimento, cujos benefícios devem ser desfrutados no tempo que se chama hoje. A vida perdeu o valor original para o homem contemporâneo.

(...) Uma estratégia aceitável para o planeta Terra deve, então, levar explicitamente em conta o fato de que o recurso natural mais ameaçado pela poluição, mais exposto é degradação, mais propenso a sofrer um dano irreversível, não é esta ou aquela espécie; não é esta ou aquela planta ou bioma, ou habitat, nem mesmo a atmosfera livre ou os grandes oceanos. É o próprio homem. (ward&dubos, 1973:273)

A mudança só acontecerá a custos da própria vida humana, quando cada indivíduo vier a ser seriamente afetado pelas conseqüências do um uso dos recursos naturais e degradação completa da natureza.