19/01/2011

Nem tudo são flores

Casar. Casar não, estar casada, nos traz a triste constatação de que nem tudo são flores e, á medida em que a tão sonhada cerimônia vai se tornando distante e parte somente dos álbuns, histórias e doces memórias, mais e mais agente vai tomando um banho, não de beleza e glamour, mas de realidade; não mais um dia da noiva, mas vários dias de diarista (hahaha) ... Sabe aquela propaganda que mostra a dona de casa lutando contra a “neura da limpeza”? Sou eu minha gente! Aliás, tenho a teoria que a dona “neura da limpeza” fica esperando cada noiva na porta da casa nova. Tão logo a ilustre felizarda retorne da lua de mel, a neurinha já começa a atuar direto na mente e no coração! Eu sempre fui organizada, sempre gostei de cada coisa em seu lugar, sempre etiquetei pastas e caixas, separei as coisas por cor e tipo, passava horas nas férias me dedicando aos papéis, ás coisinhas pequenas, enfim. Mas nunca imaginei que me perturbaria tanto as responsabilidades da casa e, como toda mulher que trabalha, ter que fazer muita coisa, em pouco tempo e sem nenhuma vontade. Por vezes me vi feito barata tonta de um lado pra outro da casa, sem conseguir fazer o que era preciso. Eu tenho uma limitação, não consigo pensar direito em meio á bagunça, desarmonia, falta de beleza... E ainda tem os acontecimentos que você não pode evitar, são causas naturais, involuntárias, são parte da vida. Mas, adivinhem, eles acontecem bem debaixo do seu teto, do seu sonho de princesa, perto dos seus eletrodomésticos novos, seu enxoval cheirosinho, do tapete macio, na parede colorida que vc mesma pintou... aaaaaaahhhhhh! Entre tantos percalços relacionados á casa, roupa que molha, roupa que não seca, panelas e panelas, comida azeda na geladeira, azeda no armário, pó e mais pó, encanamento ruim e et, uns dos piores que enfrentei esse ano foram:

    Infiltrações e umidade extrema que deixaram tudo, sim pessoal, TUDO verde. E toca correr pra por o guarda-roupa abaixo, encontrar soluções, receitas caseiras, dispositivos que pudesse reverter o processo de bolor que tomava conta até mesmo do nosso próprio corpo! Nem tanto...

   Chuvas descomunais em que a água jorrou pela parede e derrubou (pasmem!) os pregos e os quadros! Foi o maior susto!

    Animais pestilentos que morreram no teto e causaram muito transtorno de toda sorte, e nos obrigou a dedetizar tudo. Foi bom, pq ajudou a tirar um poço das “12” aranhas que faziam ninho nos cantos. As aranhas foram, e vieram outros bichos. Elas estão voltando aos poucos, mas nem vou tirá-las de pronto. Prefiro aranha a piolhos de cobra. Arrrghh! Mal posso reler essa última frase...

Mas as crises com a casa me ajudaram e me fizeram crescer, descobri que o espaço tem um significado pra mim que eu não imaginava e deixei de ser passiva ou simplesmente irritadiça ou estressada, mas comecei a pensar em soluções e novas idéias pra serem realizadas e tal. O saldo foi posistivo afinal! Tive muitas idéias de decoração, produzi muito, nas diversas linguagens... a arte preencheu totalmente os meus dias do último ano. E vieram as bodas no dia 12! Mas isso é assunto pra um outro post!

Enfim, a realidade nem sempre é perfumada, bela e delicada como as flores, mas podemos mudar as circunstancias segundo o nosso coração e nossa visão de mundo. O bom e o ruim são determinados pelo ponto de vista, e como está escrito em Provérbios, como você imagina em sua alma, assim é. A neura da limpeza agora é minha parceira, meu alerta pra seguir cuidando com zelo da minha casinha... Mas sempre com alegria e criatividade.
Sempre.

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